<<< "A humanidade e o reflexo da maldade de Deus, ainda que o seu mal seja desfigurado em nossa consciência decadente, o seu amor e misericordia esta sobre nós." - Gen. 8:21 >>>

Pense Nisto:

“A vida má não causa grande dano a não ser a si mesma, mas o ensinamento errado é o maior mal neste mundo, porque leva multidões de almas ao inferno. Não estou preocupado se és bom ou mau, mas eu atacarei teu ensinamento venenoso e mentiroso que contradiz a palavra de Deus.”

Martinho Lutero!

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Cristianismo e Capitalismo: uma união forçada

É notória a tendência ao longo da história em se manipular o texto bíblico para justificar as condutas mais absurdas da raça humana, desde “guerras santas”, segregação, exploração e domínio dos mais fracos. Recentemente vê-se a fé cristã usada como aliada do sistema capitalista, em que santos, apóstolos e o próprio Cristo são manipulados para justificar a lógica do capital, numa racionalidade da barganha e do seja feita a “nossa” vontade.

É bom lembrar que a estrutura capitalista e os ideais do liberalismo econômico, desde Adam Smith, passando por Hayek e Friedman, apoiam-se no individualismo, na busca dos próprios interesses, na disputa e no consumismo como principais mecanismos de organização da vida em sociedade. Nesse modelo, qualquer interferência externa, como regulação do mercado, estruturas sociais de apoio a grupos marginalizados ou mecanismos de distribuição de renda e de priorização do que é público, são vistas como anátemas ao restringirem as liberdades individuais e ao regularem a reprodução do capital – senhor justificador de todos os sacrifícios.

Quando nos atemos aos fundamentos originais do cristianismo, é clara a sua centralidade na vivência da fraternidade, na cooperação, na solidariedade, no exercício da empatia e na busca da harmonia com a natureza, em suma, a priorização do bem comum, nada mais distante dos ideais abraçados pelo capitalismo sem fronteiras.

O nosso tempo tem na concentração econômica e de poder e na naturalização da miséria uma das suas marcas mais expressivas, sendo o liberalismo econômico extremado o seu grande fomentador, intensificando desigualdades e alimentando as vantagens acumuladas por certos grupos ao longo do tempo, consolidando-se a injustiça e a exploração. A manipulação e a relativização da fé cristã vêm contribuindo para legitimar esse quadro, aceitando-o como inevitável, mantendo-se distante de projetos de desconstrução das estruturas sociais e econômicas causadoras de sofrimento e desamor.

A solidariedade no modelo capitalista, em vez de ser pensada de forma institucionalizada a ponto de garantir direitos universais irrestritos e incondicionais, equilibrando oportunidades e limitando assimetrias, restringe-se à lógica da caridade, em que alguns afortunados decidem quem serão os agraciados com sua generosidade, perpetuando-se as relações de poder e de subserviência.

Será que era este o mundo idealizado por Cristo há 2000 anos quando clamava a que vivêssemos como irmãos, que morrêssemos para nós mesmos e que o egoísmo fosse sublimado em nome do amor? Uma coisa é certa, os valores que sustentam o capitalismo estão cada vez mais distantes da vida comunitária, sociocêntrica, baseada no bem-comum e apoiada na máxima cristã de “amar o próximo como a si mesmo”.

*Luis Miguel Luzio dos Santos é economista, doutor em Ciências Sociais e professor do Departamento de Administração da UEL.
Máteria Publicada no Jornal de Londrina 16/11/2011

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Curiosidades Bíblicas:

As Bíblias mais antigas não eram divididas em capítulos e versículos. Essas divisões foram feitas para facilitar a tarefa de citar as Escrituras. Stephen Langton, professor da Universidade de Paris, mais tarde arcebispo da Cantuária, dividiu a Bíblia em capítulos em 1227. Robert Stephanus, impressor parisiense, acrescentou a divisão em versículos em 1551 e em 1555. Felizmente, estudiosos judeus, desde aquela época, adotaram essa divisão de capítulos e versículos para o Antigo Testamento.

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