<<< "A humanidade e o reflexo da maldade de Deus, ainda que o seu mal seja desfigurado em nossa consciência decadente, o seu amor e misericordia esta sobre nós." - Gen. 8:21 >>>

Pense Nisto:

“A vida má não causa grande dano a não ser a si mesma, mas o ensinamento errado é o maior mal neste mundo, porque leva multidões de almas ao inferno. Não estou preocupado se és bom ou mau, mas eu atacarei teu ensinamento venenoso e mentiroso que contradiz a palavra de Deus.”

Martinho Lutero!

quinta-feira, setembro 29, 2011

Patristica - INÁCIO DE ANTIOQUIA

Por César Augusto Conti

Sua Origem


Embora oriundo de Antioquia, seu nome deriva do latim: igne= fogo, e natus= nascido. Ignacius , é bem o homem nascido do fogo, ardente, apaixonado pelo Cristo, pela Igreja, pela unidade e pelo desejo de imitação do seu mestre. Quase nada sabemos sobre seus pais e sua formação.

A liturgia latina o festeja a 1o. de Fevereiro. A escolha do evangelho da celebração alude à lenda que pretende ver naquela criança que Jesus tomou nos braços, em Marcos 9: 33, o menino Inácio. Dai ser cognominado “Teoforos”, isto é, carregador de Deus.


Contéudo histórico


Inácio é bispo de Antioquia no começo do século II, no momento em que a Igreja tem cinquenta anos de existência. O peregrino ou o turista hoje procurariam em vão a cidade de Antioquia, situada no ponto de conjunção entre a Turquia e a atual Síria. Da cidade primitiva não resta mais nada. É de Antioquia que Paulo parte para plantar a cruz na Ásia Menor e na Grécia.

Inácio tornou-se célebre por sua peregrinação forçada em cadeias, de Antioquia a Roma, por volta dos anos 107 – 110. Nas paradas que fazia para descanso, escrevia as comunidades que o tinham recebido ou que lhe enviara uma embaixada com saudações.

Inácio é sem dúvida, juntamente com o papa Clemente de Roma, o primeiro escritor da Igreja, vindo do paganismo, preparado pelos filósofos gregos. De Paulo a Inácio existe uma mesma distância que separa um missionário que se adapta aos costumes indígenas de dum índio que se converte ao Evangelho e que repensa o cristianismo. Em uma época em que a primeira literatura cristã ainda permanece sob os moldes judaicos, as cartas de Inácio só conservam como herança os valores bíblicos e espirituais.

A Igreja governada pelo jovem bispo é de origem estritamente helênica. Ela é um testemunho da primeira expansão da evangelização. Este bispo, preocupado com seu rebanho e com seu martírio, não deixa de dar atenção às outras Igrejas, cujas dificuldades ele conhece.

Sob o imperador Trajano (85-117), Inácio foi preso, julgado e condenado às feras. Ele segue os caminhos dos confessores da fé; será executado em Roma, que reserva para si as vítimas de maior prestigio.

O prestigio de Inácio era tal, que as Igrejas das cidades da Ásia por onde ele não ia passar enviaram delegações ‘que se dispunham a esperá-lo de cidade em cidade” Em Esmirna, o bispo prisioneiro escreve manifestando sua gratidão às diversas comunidades que o cumprimentaram Depois como Paulo, Inácio prossegue seu caminho até Trôade. Antes de embarcar desta cidade para Neápolis, atualmente Kavalla, ainda escreve aos cristãos de Filadélfia, de Esmirna, e a Policarpo, pedindo que enviem delegados à sua cidade episcopal, preocupação constante de seus pensamentos, a fim de felicitá-la por haver recuperado a paz. Isto denota a delicadeza de sua ternura pastoral.


O homem


Só conhecemos o homem através de suas sete cartas, as únicas que nos permitem penetrar em seu jardim fechado.

Tal homem, tal coração! Em frases curtas, densas, tão cheias que parecem que vão explodir, de estilo sincopado, sofrido, corre um rio de fogo. Nenhuma ênfase, nenhuma literatura, mas um homem excepcional, ardente, apaixonado, heróico embora modesto, benevolente, mas dotado de lucidez; um dom inato de simpatia, como Paulo, com uma doutrina segura, clara, mais dogmática do que moral, na qual se exprimem a influência joanina, a experiência mística e a santidade.

Inácio possui senso humano e respeito ao homem. Inácio conquistou o domínio de si a custa de paciência, palavra que lhe é querida e que o caracteriza. Este temperamento impulsivo, impetuoso, tornou-se brando, vencendo a irritação que reprovava em si.


A Igreja no século II


As cartas de Inácio estão cheias de ensinamentos sobre a Igreja no início do século II. Se de um lado, os apóstolos morreram uns após outros, de outro lado a sombra do seu prestigio continua a projetar-se sobre as regiões evangelizadas. Inácio volta incessantemente a insistir sobre a unidade do clero e dos fiéis em torno do bispo, os quais devem harmonizar-se “como as cordas da lira”. O bispo coloca de sobreaviso as comunidades de Éfeso, de Magnésia e de Trales. Inácio é uma das primeiras e raras testemunhas da Igreja no momento em que ela se abre ao mundo greco-romano. Se suas cartas são mais cheias de vida do que de literatura , é porque nos revelam maravilhosamente a fé que enfuna as velas do barco em alto mar.

Inácio não tem outra paixão senão a de imitar a Cristo. É para segui-lo perfeitamente que aspira ao martírio e a dar sua vida como ele o fez: perder tudo para encontrar Cristo.

É ainda Euzébio quem nos fornece indicações gerais sobre as cartas: “Foi assim que, estando em Esmirna, onde era dispo Policarpo, escreveu à Igreja de Éfeso uma carta, na qual faz, menção de seu pastor, Onésimo; outra à igreja de Magnésia sobre o meandro, na qual faz igualmente menção ao bispo Damas; outra a Igreja de Trália, onde diz que o chefe era, então, Polibo. Além dessas cartas, escreveu também à Igreja dos romanos , à qual desenvolve uma exortação para que não se faça campanha em vista de priva-lo do martírio, sua esperança e seu desejo. Dessas cartas, é justo citar passagens, mesmo breves, para demonstrar o que acaba de ser dito.

Em seguida, já longe de Esmirna, ele dirigiu ainda por escrito, de Trôade, aos cristãos de Filadélfia, à Igreja de Esmirna e pessoalmente a seu presidente Policarpo, que ele reconhecia como homem apostólico. Suas cartas, ao que parece, foram largamente difundidas, e segundo J. Quastem, elas “tem importância incalculável para a história do dogma”.

De modo geral, as cartas refletem a influência do pensamento Paulino, predominante, mas também o de João. Depois do século IV, Juliano, o ariano, lançou uma edição grega das sete cartas de Inácio às quais ajuntou outras três cartas.

O tema central que as perpassa é sem dúvida, o da união: união com Deus, com Cristo, com o bispo, entre os cristãos. É esta união a fonte viva onde Inácio alimenta o desejo ardente de imitar Cristo em sua paciência até à morte, o martírio.

Bibliografia

HANNAM, H- Os Padres da igreja, Edições Paulinas, pp 11 – 24

GOMES , Folch -, Antologia dos Santos Padres – Dialogo com Trifão, pp 68,76
Fonte: Patristica

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Curiosidades Bíblicas:

As Bíblias mais antigas não eram divididas em capítulos e versículos. Essas divisões foram feitas para facilitar a tarefa de citar as Escrituras. Stephen Langton, professor da Universidade de Paris, mais tarde arcebispo da Cantuária, dividiu a Bíblia em capítulos em 1227. Robert Stephanus, impressor parisiense, acrescentou a divisão em versículos em 1551 e em 1555. Felizmente, estudiosos judeus, desde aquela época, adotaram essa divisão de capítulos e versículos para o Antigo Testamento.

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