<<< "A humanidade e o reflexo da maldade de Deus, ainda que o seu mal seja desfigurado em nossa consciência decadente, o seu amor e misericordia esta sobre nós." - Gen. 8:21 >>>

Pense Nisto:

“A vida má não causa grande dano a não ser a si mesma, mas o ensinamento errado é o maior mal neste mundo, porque leva multidões de almas ao inferno. Não estou preocupado se és bom ou mau, mas eu atacarei teu ensinamento venenoso e mentiroso que contradiz a palavra de Deus.”

Martinho Lutero!

segunda-feira, maio 24, 2010

O Puritanismo de Salém em 1692

Quem assistiu ao filme “As bruxas de Salém”, deve ter notado que tudo não passava de uma simples brincadeira de criança, algumas meninas e adolescentes (contavam entre nove e vinte anos) foram flagradas à noite numa floresta, algumas nuas, dançando e cantando ao redor de uma fogueira. Na verdade, tratava-se apenas de uma simpatia, mero ritual de invocação de espíritos para satisfação de pedidos de casamento e de desejos de amores não-correspondidos, dirigido por uma escrava de Barbados, chamada Tituba. Tal cena seria esquecida se não fosse o fato de que, inexplicavelmente, as duas meninas mais jovens caíssem em um estranho coma. O fenômeno, obviamente, foi interpretado como feitiçaria, que foi levado muito a sério na colônia americana. Uma delas, Abigail Williams (que na vida real possuía apenas 12 anos na época), que assim como várias meninas de sua idade, tiveram os pais mortos pelos índios, (Winona Ryder), tinha se envolvido com John Proctor (Daniel Day-Lewis), um fazendeiro casado, quando trabalhou para ele, mas após o fim do caso foi despedida. Assim, desejava a morte de Elizabeth Proctor (Joan Allen), a esposa deste. Elas são descobertas no seu "ritual" e, acusadas de bruxaria, provocando uma histeria coletiva que atinge várias pessoas, sendo que Abby, a jovem desprezada por John, faz várias acusações até ver Elizabeth ser atingida.

A peculiaridade do tema, nos da pontos importantes para reflexão histórica: a colonização inglesa na América do Norte, o papel da religiosidade na vida social do cristão, a situação social da mulher no século XVII. O episódio da caça às bruxas ocorreu na localidade de Salém, Massachussets, entre 1692 e 1693, e como qualquer comunidade de colonização puritana na América Inglesa do final do século XVII, possuía em estado latente as tensões que acabaram por desencadear a "caça as bruxas". Com efeito, a colonização da Nova Inglaterra, realizada por comunidades de protestantes ingleses que se autodenominavam "puritanos", foi à construção de uma comunidade sagrada, fora do alcance da perseguição da realeza britânica.

Nessas comunidades, acreditava-se que eram constituídas segundo um plano divino para a redenção humana, era corrente a idéia de que a formação de cidades e vilas relativamente prósperas, num local inicialmente hostil, era sinal de que a mão de Deus os guiava. Os colonos europeus na América do Norte não eram exceção, entre a vida social e a vida religiosa, sentiam a presença de Deus. Por causa disso, muitos dos conflitos sociais dessa época assumiam linguagem religiosa, pois era essa uma das seivas da vida social associando intimamente o poder divino com o poder terreno. Os membros da Igreja puritana reservavam para si os cargos públicos, juntamente por acreditarem que era o dever do Estado apoiar a Igreja, cobravam dos fieis o comparecimento aos cultos, mesmo os que não eram membros, exigiam uma moralidade estrita e tudo mais que aumentasse as possibilidades de salvação de todos os membros da comunidade. Com isto vemos o medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que nos cerca levando o homem a fundar diversos sistemas de crenças, cerimônias e cultos, quase sempre centrados na figura de um ente supremo, que o ajuda na busca da compreensão do significado último de sua própria natureza, deflagrando distúrbios de comportamento que vêm sendo um motivo de preocupação crescente, um comportamento como esse, que vem a ser um sintoma claro de esquizofrenia.

Quando o crente, é visto como objeto contestador na igreja quando são colocadas regras, ele assume seu papel de passividade; quando resolve erguer-se à estatura de um ser humano pleno e com iguais direitos e deveres que o mundo oferece, via de regra é visto como uma pessoa perigosa, demoníaca, desafiadora, enfim, numa comunidade com moldes de puritana, (e isso quando praticado mesmo, quando somente pregada vira pura hipocrisia, nem merece atenção),está cada vez mais sendo afastada da verdadeira experiência do amor integral. Algo de impensável e ridicularizável numa igreja que, vale repetir, reduz tudo, até a relação intersubjetiva a jogos de interesse de alguns grupos que se dizem espiritualistas dentro de nossas igrejas ou, por outro lado, à concupiscência lasciva, libertina ou ao puritanismo castrador, ambos imbecis faces da mesma moeda falsa.

É assim que uma igreja perde a sua identidade, despojando-se da sua história dos seus usos, costumes e estilo próprio de ser proclamadora do evangelho de Cristo, passando a imitar outras que nada têm a ver com a sua teologia e adotando costumes e falsas interpretações que as escrituras dizem.

São poucos aqueles que escapam às leis puritanas que ditam qual a cor, o feitio e o tamanho das roupas que devem usar. Uns, obedecem por medo do pecado imposto por acharem que estão errados, outros, vêem-se nitidamente que não sabem o que usam, nem porque usam e seguem a regra imposta pela igreja. E isto não se cinge absolutamente ao vestuário, mas também ao corte de cabelo, aos perfumes e cosméticos, aos adornos, à linguagem falada ou gestual.

Só há relativamente pouco tempo a igreja começou a se libertar de preconceitos aceitando mulheres descasadas, mães solteiras apesar de ainda restringir o homossexualismo, outras já tiveram abertura nomeando até bispo gay para o cargo, como e o caso da Anglicana, quebrando o passado puritano, ultrapassando as opressões puritanas e as complacências libertinas disfarçadas de liberação, despertando no crente uma verdadeira meditação, um autêntico caminho de transformação interior e de despertar da consciência mais ampla de Deus.


Faz ainda muito pouco tempo que despertamos de tão inconcebível pesadelo. Apesar de todos os pesares, diante de tão tétrico quadro, poder-se-ia concluir que, comparativamente, a situação já não é tão desesperadora e conseguimos avançar bastante e atingir um nível razoável de conhecimento.

Hoje nos vemos, que a igreja tem mudado apesar de existirem alguns membros ou grupos que se dizem ser “espirituais”, a falta de discernimento á palavra de Deus e pessoas especializadas nas escrituras tem causado divisão e saída de membros, às vezes vão para outras igrejas ou vão fundar uma própria achando que Deus lhe ordenara tal ato para alcançar almas perdidas.

Nós cristãos devemos lutar para que haja liberdade de expressão em nossas igrejas e pensarmos que os tempos são outros e que as idéias possam ser livremente manifestada. O esforço dos cristãos não deve ser concentrado no fato de que o cristianismo deva evidenciar num pretexto puritano ou ate pietista, mas de lutar para que haja igualdade e liberdade diante da palavra de Deus para todas as religiões.

Nesse sentido, a posição puritana sem castramento mas dando liberdade, é compatível com a idéia de pluralismo religioso. A implantação do reino de Cristo, quando todos estarão submissos a ele, deve esperar até que ele venha. Até lá, é necessário que aja tolerância em nossas igrejas.

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Curiosidades Bíblicas:

As Bíblias mais antigas não eram divididas em capítulos e versículos. Essas divisões foram feitas para facilitar a tarefa de citar as Escrituras. Stephen Langton, professor da Universidade de Paris, mais tarde arcebispo da Cantuária, dividiu a Bíblia em capítulos em 1227. Robert Stephanus, impressor parisiense, acrescentou a divisão em versículos em 1551 e em 1555. Felizmente, estudiosos judeus, desde aquela época, adotaram essa divisão de capítulos e versículos para o Antigo Testamento.

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